Entre escritos

Ao se vislumbrar o “fazer terapia”, muitas vezes, imaginamos uma experiência assustadora, semelhante a de se colocar na ponta de um abismo, sem equipamento de proteção, e com um mar revolto e desconhecido a espera lá embaixo.

Gosto de pensar o fazer terapia como, na verdade, uma experiência que se assemelha à construção – tijolinho por tijolinho – de uma ponte segura e forte, capaz de proteger e sustentar a força desse mar revolto – repleto de sentimentos desconhecidos, confusos e, muitas vezes, dolorosos – e que nos levará até o outro lado mais potentes e conscientes de si.

Durante esse processo de construção, muitos tijolinhos serão reconhecidos e sentidos, outros serão pintados, reformados e fortificados, enquanto outros serão criados, reorganizados e até mesmo retirados.

Viver tudo isso, enquanto lá embaixo um mar agitado e desconhecido se agita e borbulha, nem sempre (lê-se: quase nunca) é confortável e fácil e, por isso, requer muita coragem.

Mas aqui vem a boa notícia! Não existe lugar mais seguro para essa ponte ser construída do que na terapia, ancorado pelo laço que se constrói na relação entre paciente e terapeuta, e que será companhia constante até o outro lado.

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